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Entrevista: a psicoterapeuta Karina Lapa fala sobre como proteger a família da ameaça de abuso sexual
Karina Lapa comenta sobre o grave roblema dos abusos sexuais contra menores

Por Dine Estela

Abuso sexual de menores é um problema mundial, por isto estão surgindo associações e entidades para proteger as criaturas indefesas dos avanços de adultos que procuram fazer das crianças suas vítimas.

A psicoterapeuta Karina Lapa, mediadora da Corte Suprema da Flórida, trabalha há sete anos com crianças que já sofreram algum tipo de abuso sexual, portanto, ela dá algumas orientações sobre como lidar com este delicado problema de forma mais segura.
Ao contrário do que muitos pais pensam, o molestador nem sempre é um estranho que está à espreita esperando o momento certo para raptar e abusar da criança. Estudos revelam que em 90% dos casos de abuso sexual infantil o culpado é alguém que a criança confia, como os pais, parentes, coleguinhas e até mesmo professores.

Atitudes regressivas, como voltar a chupar o dedo ou urinar durante o sono, podem ser alguns sintomas dos abusos sofridos. “Alguns casos são mais fáceis de serem descobertos. Eu já tive um paciente de seis anos de idade com gonorréia (doença sexualmente transmissível). No entanto, existem outros sintomas mais subliminares que só poderão ser resolvidos com um diálogo mais profissional”, conta Karina.

Uma criança que não saiba nada sobre sexo pode tornar-se uma vítima fácil. Entre os conselhos da psicoterapeuta, está a manutenção de um diálogo constante e aberto com os filhos, apesar de alguma resistência inicial, principalmente se forem adolescentes. “Trabalhei sete anos com o governo americano e pude ver de perto os problemas enfrentados pelas famílias que não conseguem manter um diálogo com seus filhos, mesmo com tanta exposição sobre o assunto pela mídia”, destacou.

Problema mundial

O relatório mundial sobre a violência contra crianças, preparado por um especialista independente para a ONU em 2006, já estimava os números de abusos sexuais em 150 milhões de meninas e 73 milhões de meninos abaixo de 18 anos que teriam sido forçados a manter relações sexuais ou outras formas de violência sexual. Uma análise cuidadosa de pesquisa feita em 21 países indicou que, em certos lugares, até 36% das mulheres e 29% dos homens haviam sido vítimas de alguma forma de abuso sexual na infância. A maioria dos que cometeram o abuso eram parentes da criança.

Formas de abuso sexual Existem duas formas de abuso sexual que os adultos podem praticar contra as crianças e os adolescentes: com ou sem contato físico. Nos dois casos, o adulto abusa da vítima para conseguir algum tipo de prazer ou satisfação pessoal.

Com contato físico: Violência sexual: forçar relações sexuais, usando violência física ou com ameaças verbais.

Exploração sexual de menores: pedir ou obrigar a criança ou o jovem a participar de atos sexuais em troca de dinheiro ou outra forma de recompensa.

Há também a carícia que começa como uma simples brincadeira, mas que se prolonga de um simples beijo a interações maiores.

Sem contato físico:
Também conhecido como assédio.

Falar sobre sexo de forma exageradamente vulgar, exibicionismo obsceno, como tirar a roupa ou mesmo ficar de longe observando jovens ou crianças sem roupa e de maneira intimidatória. Outra maneira é fotografar ou filmar poses pornográficas ou de sexo explícito.

O AcheiUSA entrevistou Karina Lapa sobre as questões mais recorrentes e pediu conselhos sobre como proceder nestes tipos de caso.

AcheiUSA: Como descobrir se o seu filho está sofrendo abuso sexual?
Karina Lapa: O abuso pode ser “descoberto” de várias maneiras. Primeiro, se a vitima o reporta, ou conta que aconteceu. Mas também pode ser descoberto por sintomas físicos, ou emocionais e de comportamento da vítima.

AU: Qual o tratamento mais adequado para uma criança que foi molestada pelo próprio pai?
KL: Várias coisas podem ser feitas assim que se descobre o abuso. Reportar a polícia, buscar ajuda médica, para verificar se existe algum dano físico, ou lesão corporal na criança, e tratá-la, principalmente com terapia individual, ou de família. Quanto mais cedo se identificar, e tratar o abuso, melhor o prognóstico.

AU: Caso a criança comece a ter pensamentos homicidas qual seria o tratamento mais adequado?
KL:As crianças podem ter pensamentos suicidas, ou até mesmo homicidas. É importante dar suporte e apoio, não minimizar ou falar que elas não podem sentir isso ou aquilo. É imprescindível entender que, em casos de abuso, a vítima tem direito de sentir uma variedade enorme de coisas. Até encontrar paz, resolver o conflito e sair da posição de vítima para passar a ser sobrevivente de umas das experiências mais difíceis da sua vida.

AU: No caso das crianças que apresentam muita dispersão e distanciamento da realidade e das pessoas ao seu redor. Como os pais devem agir nestes casos: respeitar este isolamento e ao mesmo tempo manter um diálogo com um profissional ou inserir a criança em ambientes em que tenha de interagir com outras pessoas?
KL:Cada caso é diferente. Há casos onde o isolamento (temporário) é adequado, e deve ser respeitado. Daí, a introdução gradual ao convívio social deve vir. Um diálogo aberto entre as pessoas que apoiam a vítima é fundamental, sobretudo com um profissional. Esse apoio é necessário não só para a vítima, mas também para a família que divide o sofrimento dela.

AU: No caso das crianças que ficam agressivas ou com atitudes muito sexuais tanto no modo de se vestir quanto de agir com pessoas do sexo oposto. O que fazer para minimizar estas atitudes?
KL: Isso é algo que a terapia ajuda a criança a entender, e a lidar. No entanto, os pais devem impor certos limites a esse comportamento sexualizado exacerbado.

AU:Proibir que uma pré-adolescente tenha um namoradinho seria uma ação adequada ou quanto mais contato com a sexualidade do pré-adolescente melhor para que as definições de certo e errado estejam mais claras?
KL: Não necessariamente. A proibição não explica, não justifica, e nem resolve algo que já aconteceu. Comunicação, orientação e supervisão são as melhores armas.

AU: Diante da realidade de que a ignorância gera mais vítimas, qual seria a melhor idade para falar sobre sexo com uma criança e que tipos de assuntos devem ser primeiramente abordados?
KL: Na idade onde a criança começa a perguntar, ela quer e merece respostas apropriadas à sua idade. Conversas e livros ajudam nesse processo.

AU: O que responder para uma criança de quatro anos sobre como se produzem os filhos?
KL: Falar exatamente como os bebês são feitos de forma apropriada para essa idade, não dar detalhes técnicos, nem científicos, mas introduzir o conceito de que sexo é saudável, natural e que acontece entre dois adultos que se amam, e que querem constituir uma família.

AU:Como os pais podem fazer para ensinar os filhos a se protegerem do abuso sexual?
KL: Diálogo aberto e honesto, muita informação, ensinar que abuso acontece, e que é uma realidade possível, portanto, há que se proteger.

AU: Diante das estatísticas de que, em 90% dos casos de abuso sexual infantil, o culpado é alguém que a criança conhece e confia, como os pais devem orientar seus filhos sem o perigo da superproteção?
KL: Fazer exatamente o que não fazemos, ou seja, ensinamos as crianças que os estranhos são o problema! O problema está na nossa cara. Precisamos dar voz a essas crianças. Precisamos dizer que mesmo as pessoas mais próximas podem nos fazer dano. É preciso entender que, para que o abuso aconteça, são necessárias duas coisas: falta de supervisão e silêncio. Encoraje seu filho a falar com você. E esteja atento a tudo e a todo mundo.

AU: Qual o padrão de sedução e as chantagens mais comuns dos abusadores?
KL: Sedução, chantagem, promessas de privilégios, presentes ou até mesmo de amor.

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